A tarifa de ônibus em São Paulo pode ser ao menos 11 centavos mais barata. A conclusão está no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes, que será apresentado em fevereiro na Câmara. De acordo com estudos desenvolvidos pela CPI formada após os protestos de junho, a economia poderia ser obtida alterando as regras para a compra do diesel usado nos 15 mil coletivos que rodam pela capital paulista.
Relembre manifestações pelo Brasil contra o aumento da tarifa do transporte público
Protestos pelo Brasil - 2013: Uma série de protestos motivados inicialmente pelo preço da passagem do transporte público espalhou-se pelas cidades brasileiras e teve repercussão internacional. As primeiras mobilizações aconteceram em São Paulo, organizadas pelo Movimento Passe Livre, que defende a adoção da tarifa zero para o transporte público. Após duas semanas de passeatas, os governos de São Paulo e de outras cidades recuaram e anunciaram a redução do valor das tarifas. Mas líderes dos manifestantes disseram que continuarão nas ruas, reivindicando mais qualidade no transporte público. Junto aos protestos, os manifestantes também reivindicam melhoria na educação e saúde e se mostram contra os gastos para a preparação da Copa do Mundo de 2014, a PEC 37 (proposta de emenda à Constituição que limita os poderes de investigação do Ministério Público) e a corrupção
Nos contratos atuais, a fatia do combustível na passagem é calculada segundo o consumo e o preço médio praticado pelo mercado. Mas se a cidade seguir o exemplo de outras capitais do Brasil, como Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, e estabelecer o valor mínimo, a "sobra" anual pode chegar a R$ 197,8 milhões.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a diferença entre os preços citados pode ser superior a 40 centavos: o mínimo é de 1,71 real, enquanto o médio é de 2,13 reais. Relatora da CPI, a vereadora Edir Sales (PSD) diz que, aparentemente, a solução parece fácil, mas que é preciso boa vontade dos envolvidos. "As empresas terão de colaborar mais."
Perguntado sobre a possibilidade de alterar a regra no edital a ser lançado pela Prefeitura em 2014 para a reorganização do sistema, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, disse que a proposta pode ser acatada. "Tudo o que for para baratear o sistema é bem-vindo", afirmou.
Empresas
Já o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (Urbanuss) diz que nem todas as viações conseguem comprar o combustível pelo preço mínimo. A entidade, no entanto, não explicou o motivo da dificuldade. Conforme o Urbanuss, a tarifa é uma "questão política e social" e a fixação é de inteira responsabilidade do poder concedente, a Prefeitura de São Paulo.
O sindicato ressaltou que os custos do transporte urbano envolvem mão de obra e controle da compra e consumo de materiais e equipamentos. Na planilha atual de custos, 51% são fixos e 32%, variáveis, como o valor do diesel e a quantidade de quilômetros percorridos. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
